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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

DON SIEGEL (26/10/1912 - 20/04/1991) BIOGRAFIA


Donald "Don" Siegel (Chicago, Illinois, 26 de outubro de 1912 — Nipomo, Califórnia, 20 de abril de 1991) foi um diretor de cinema e televisão estadunidense.

Donald Siegel nasceu em Chicago, filho de pais de origem judaica. Aos dois anos de idade o pai de Donald que era músico levou a família para Nova York. Notável bandolinista, Mr. Siegel foi contratado para tocar na Inglaterra para onde levou a família, isto quando Donald era ainda um adolescente. Donald estudou em Cambridge, aprofundando-se no estudo do Novo Testamento, pois professava o judaísmo. Curiosamente Donald gostava de tocar instrumentos musicais de percussão, o que o levou a Paris como músico, após o que retornou aos Estados Unidos quando estava com 21 anos. O espírito aventureiro de Donald fez com que ele fosse depois para Los Angeles, onde a indústria cinematográfica não parava de se expandir. Um tio de Donald chamado Jack Saper trabalhava no Departamento de edição da Warner Bros. e conseguiu emprego para o sobrinho. O também judeu Jack Warner, que dirigia o estúdio, percebeu logo o talento do jovem Donald que rapidamente se tornou um dos melhores editores da Warner Bros. Entre os principais filmes que Donald Siegel editou estão “Confissões de um Espião Nazista”, “Heróis Esquecidos”, “Irmão Orquídea”, “O Intrépido General Custer”, “O Ídolo Público” e trechos de “Casablanca”. Cansado de ‘melhorar’ filmes na moviola, Siegel pediu a Jack Warner que o deixasse dirigir. Como Warner não queria perder seu melhor montador, o chefão segurou Siegel na sala de edição, permitindo que ele estagiasse como assistente dos diretores Howard Hawks, Raoul Walsh e Michael Curtiz. Professores melhores impossível...

Somente em 1945, a título de experiência, Warner autorizou que Donald Siegel dirigisse dois curtas-metragens intitulados “Star in the Night” e “Hitler Lives” e como resultado o estúdio recebeu dois prêmios Oscar de curta-metragem pelas duas ‘experiências’ de Donald Siegel. Hollywood ganhava um novo diretor, mas que ninguém imaginava que pudesse ser tão criativo e rápido, o que em termos de produção significa ser econômico. Para a Warner Bros. Donald Siegel dirigiu “Justiça Tardia’ e “Noite Após Noite”, este último com Ronald Reagan e uma bonita atriz sueca chamada Viveca Lindfors. Donald e Viveca se apaixonaram e se casaram durante as filmagens, em 1948.

Decidido a realizar filmes mais pessoais, Siegel deixou a Warner e na RKO deu mostras de seu talento com “O Caís da Maldição”, um dos primeiros sucessos de Robert Mitchum. Dirigiu sua esposa Viveca Lindfors em “Adorável Tentação”, em 1952, mesmo ano em que estreou no western em “Onde Impera a Traição” (Duel at Silver Creek), com Audie Murphy. Veio em seguida o policial “Medo que Condena”, com Teresa Wright e “Aventura na China”, com Edmond O’Brien.


Foi em 1954 que Don Siegel chamou a atenção da crítica com “Rebelião no Presídio”, filme sem nenhuma estrela no elenco que tinha nomes como Neville Brand, Leo Gordon e Emille Meyer, desconhecidos até como coadjuvantes. Produzido por Walter Wanger, um dos assistentes de direção de Siegel era um jovem chamado Sam Peckinpah, cujo pai havia sido juiz e condenado muitos bandidos a cumprir pena na Penitenciária de Folson, na Califórnia, onde o filme foi rodado. Tanto o produtor Wanger quanto o ator Leo Gordon haviam também cumprido penas em prisões [Leia as biografias de Gordon e Wanger neste blog]. Os filmes seguintes de Don Siegel foram “Dinheiro Maldito” (com Ida Lupino), “Dois Corações e uma Alma” (com John Derek) e “A Rua do Crime” (com John Cassavetes e Sal Mineo). Em 1956 Don Siegel arrebataria novamente a crítica e desta vez também o público com “Vampiros de Almas” (com Kevin McCarthy). Aclamado como obra-prima da sci-fi, Don Siegel reclamou muito com a mudança do final que o produtor Walter Wanger teve que fazer para atender à censura, o que no entanto não alterou o forte impacto que “Vampiros da Alma” produz até hoje quando assistido quase 60 anos depois. A grande fase de Siegel continuou com “Assassino Público N.º 1”, pequeno clássico do cinema policial, com Mickey Rooney interpretando o bandido Baby Face Nelson. Separado de Viveca Lindfors desde 1953, Don havia se casado em 1957 com Doe Avedon, ex-esposa do famoso fotógrafo Richard Avedon.


Como é impossível acertar sempre, Don Siegel aceitou filmar na Espanha o drama “Cigana Espanhola”, com Carmen Sevilla, filme que o próprio Don afirmou ter se arrependido de dirigir. Ao contrário deste, “O Sádico Selvagem” com Eli Wallach foi outro trunfo de Siegel, já considerado ao lado de Samuel Fuller como os principais realizadores de filmes B nos Estados Unidos. Vieram a seguir “Contrabando de Armas”, não-western com Audie Murphy; “Covil da Morte”, com Cornel Wilde; “Uma Dívida de Amor”, lançando o cantor Fabian no vácuo de Elvis Presley que estava no Exército. Mas se era para filmar com roqueiros, o melhor era dirigir logo o maior de todos e Don Siegel foi escalado como diretor de “Estrela de Fogo” (Flaming Star), o melhor filme de Elvis Presley e com a maravilhosa Dolores Del Río e John McIntire no elenco. Agora um nome mais prestigiado em Hollywood, Don Siegel se afastou mais dos Bs ao dirigir “O Inferno é Para os Heróis”, estrelado por Steve McQueen, Bobby Darin, Fess Parker, Nick Adams e James Coburn, todos astros em grande evidência no cinema ou na TV. Esse filme não foi bem nas bilheterias e Siegel passou dois anos dirigindo série para a TV, entre elas dois episódios da clássica série “Além da Imaginação”.


Trabalhando para a TV, Don Siegel dirigiu em 1964 um remake de “Os Assassinos”, clássico noir de 1946. A refilmagem tinha no elenco Lee Marvin, John Cassavetes, Angie Dickinson e Ronald Reagan. Depois de pronto esse policial ficou tão bom que acabou sendo lançado no cinema e se tornando em grande sucesso. Em 1968 Siegel repetiu a dose com o também excelente “Os Impiedosos”, com Henry Fonda e Richard Widmark como policiais de Nova York. Don Siegel nunca teve temperamento para conviver com injustiças ou procedimentos arrogantes e por essa razão, em 1969, passou por uma situação desagradável. Foi quando Siegel foi chamado para concluir “Morte de um Pistoleiro” (Death of a Gunfighter), em substituição ao diretor Robert Totten que não aguentou continuar trabalhando com o astro Richard Widmark. O ator intrometia-se em todas as cenas tratando Totten com extremo desprezo. Widmark tentou fazer o mesmo com Don Siegel e por pouco não se pegaram para valer. Quando o filme ficou pronto Siegel procurou a Directors Guild Association e solicitou que seu nome não aparecesse como diretor do filme, sugerindo o nome de Richard Widmark, como diretor.


Don Siegel era cada vez mais respeitado como diretor, faltando-lhe apenas um estrondoso sucesso de bilheteria, que veio a ocorrer após seu encontro com Clint Eastwood recém-chegado da fase spaghetti-westerns. O filme chamou-se “Meu Nome é Coogan” e tornou amigos o ator e o diretor. Fizeram juntos em seguida os westerns “Os Abutres têm Fome” e “O Estranho que Nós Amamos”, filmes que não repetiram o êxito de bilheteria de “Meu Nome é Coogan”.  Clint e Don ficaram tão amigos que o diretor fez até uma ponta como ator no primeiro filme dirigido por Clint, o thriller “Perversa Paixão”. Dos nove filmes em que Clint Eastwood havia atuado após seu retorno aos estados Unidos, apenas “Meu Nome é Coogan” estourou verdadeiramente nas bilheterias. Clint precisava de um novo grande sucesso e ele veio com “Perseguidor Implacável”, dirigido por Don Siegel, policial em que pela primeira vez Clint interpretou o detetive ‘Dirty Harry’. Daí para a frente Clint tornou-se uma espécie de Midas, enquanto Don procurava afirmar-se como renomado diretor de filmes de ação mas que contivessem algo mais que bem filmadas cenas de perseguições a criminosos.  E foi em 1973 que Don Siegel dirigiu “O Homem que Burlou a Máfia” (Charlie Varrick), um excepcional e pouco comentado policial. Grande clássico do gênero, esse filme só não fez sucesso porque o ótimo Walter Matthau não tinha a estampa que o público gosta de ver na tela. Já elevado à categoria de diretor de filmes ‘A’, Siegel dirigiu a seguir o suspense “O Moinho Negro”, com Michael Caine e a bela libanesa Delphine Seyrig.


Sabia-se que John Wayne estava se despedindo do cinema depois de uma das mais brilhantes carreiras que um ator pode ter. Deveria ser um western e mais que isso um grande western. A Paramount confiou a direção de “O Último Pistoleiro” (The Shootist) a Don Siegel que realizou um faroeste com algo de sublime, digno da despedida do Duke. “O Último Pistoleiro” não raramente aparece em listas dos dez melhores westerns de todos os tempos, um pouco por razões sentimentais e muito pelo grande filme que é. No elenco ainda Richard Boone, James Stewart e Lauren Bacall. Em seguida Don Siegel dirigiu o suspense “O Telefone”, estrelado por Charles Bronson, com quem Siegel gostou demais de trabalhar, comentando mais tarde que poucos atores eram tão colaboradores como Bronson. Don e Bronson tornaram-se amigos. Por falar em amigos o novo filme de Don Siegel seria estrelado por Clint Eastwood.


É uma pena que grandes amizades terminem em desentendimentos insuperáveis. Mais ainda quando grandes amizades terminam por ganância ou sede de poder. Foi o que aconteceu em “Alcatraz – Fuga Impossível”. Don Siegel havia adquirido por cem mil dólares os direitos do livro para levá-lo ao cinema. Depois procurou Clint para juntos produzirem o filme. Clint não gostou do procedimento do amigo e achou que Siegel tentara lhe passar a perna antecipando-se na compra do script e no direito de dirigir o filme. Mesmo assim o já poderosíssimo Clint Eastwood promoveu uma composição triangular entre sua Malpaso e a Paramount. Pelo acordo Siegel dirigiria o filme mas o direito à edição final ficaria com a Mapaso. As filmagens se transformaram em verdadeira batalha entre Clint e Siegel, com o ator se impondo em todos os aspectos da realização do filme.  Clint impôs ainda o seu final deixando de lado o final pretendido por Siegel. É perceptível em “Alcatraz – Fuga Impossível” o estilo que Clint vinha desenvolvendo e que está em todos seus filmes. Para piorar os críticos se referiam a "Alcatraz – Fuga Impossível” como um filme de Clint esquecendo-se da figura de Don Siegel. Sem ser um grande sucesso de bilheteria, o filme rendeu 34 milhões de dólares e pelo contrato imposto por Clint, o ator ficou com 15% do lucro bruto, ou seja, mais de cinco milhões de dólares. Por outro lado Siegel recebeu sua parte após deduzidas todas as despesas de produção, custo de negativos, publicidade e distribuição do filme, ou seja o sempre discutível 'lucro líquido'. E ninguém dúvida que os contadores dos estúdios conseguem dar nó em pingo d’água quando o assunto é despesas. O resultado foi que Don, que era o dono da história e diretor do filme, teve que se contentar com dois milhões de dólares. Don Siegel era judeu e como Clint sempre gostou demais de dinheiro, a amizade dos dois terminou por aí.


Don Siegel faleceu em 20 de abril de 1991, antes de poder ver Clint Eastwood dedicar-lhe seu último western que foi “Os Imperdoáveis”, filmado e lançado em 1992. E Clint ainda declarou: "Se eu sou um cineasta eu devo tudo ao mestre Don Siegel. Don podia ensinar aos jovens mais do que qualquer outro cineasta. Don foi um verdadeiro guia para escolas de cinema, porque dava uma aula em cada cena que inventava." Infelizmente para Don, essa foi uma prova tardia de amizade. Em 1980 Don Siegel dirigiu Burt Reynolds em “Ladrão por Excelência”, comédia em que nada deu certo. Em 1982 Siegel dirigiu seu último filme que foi a decepcionante comédia “Jogando com a Vida”, estrelada por Bette Midler. Desgostoso com o cinema, Don Siegel encerrou sua carreira aos 70 anos de idade. Ele estava divorciado de Doe Avedon desde 1975. Antes de falecer vítima de câncer, em 1991 aos 79 anos, Don Siegel morava na Califórnia e recebeu diversas homenagens por sua brilhante carreira como diretor de filmes como um dos mais importantes diretores norte-americanos com um estilo pessoal e inconfundível de expressar o que queria, fosse nos filmes ‘A’ ou nos pequenos ‘B’.

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