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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

MARIO BAVA - FILMOGRAFIA


Fotografia

 1977 Schock (não creditado)
 1974 Cani arrabbiati (não creditado)
 1972 Quante volte... quella notte (não creditado)
 1972 Gli orrori del castello di Norimberga (não creditado)
 1971 A Mansão da Morte
 1970 Roy Colt & Winchester Jack (não creditado)
 1970 O Alerta Vermelho da Loucura
 1968 Perigo: Diabolik (não creditado)
 1966 Bonecas Explosivas (não creditado)
 1966 Mata, Baby, Mata (não creditado)
 1966 Os Punhais do Vingador (não creditado)
 1965 O Planeta dos Vampiros (não creditado)
 1964 La strada per Forte Alamo (não creditado)
 1964 Seis Mulheres Para o Assassino (não creditado)
 1963 Drácula, o Vampiro do Sexo (não creditado)
 1963 As Três Máscaras do Terror (não creditado)
 1963 Olhos Diabólicos
 1961 A Vingança dos Vikings
 1961 Hércules no Centro da Terra
 1960 Esther e o Rei (diretor de fotografia)
 1960 A Maldição do Demônio
 1959 O Gigante de Maratona (diretor de fotografia)
 1959 Caltiki - il mostro immortale (como John Foam)
 1959 O Diabo Branco
 1959 Hércules e a Rainha da Lídia
 1958 A Morte Vem do Espaço (como Mario Baja)
 1958 Città di notte
 1958 Hércules
 1957 Os Vampiros
 1956 Os Paladinos de França
 1956 Meu Filho Nero
 1955 A Mais Bela Mulher do Mundo
 1955 Não Há Maior Amor
 1955 Casanova, Amante Sublime
 1955 Aconteceu Lá Em Casa
 1955 Graziella
 1954 We Stole a Tram
 1954 Cose da pazzi
 1954 Onde a Vida Começa
 1953 Balocchi e profumi
 1953 Il bacio dell'Aurora
 1953 Parque dos Amores
 1953 Il viale della speranza
 1953 Perdoe-me
 1952 Barnabé Vira Mulher
 1952 Gli eroi della domenica
 1952 Barnabé Vira Mulher
 1951 Amor non ho... però... però
 1951 Goya (Documentario curta)
 1951 A Família do Barnabé
 1951 Guardas e Ladrões
 1951 Antonio di Padova
 1951 Canção da Primavera
 1950 È arrivato il cavaliere!
 1950 Her Favourite Husband
 1950 Filhas do Desejo
 1950 Miss Italia
 1950 L'ospedale del delitto (curta Documentario)
 1949 Variazioni sinfoniche (Documentario)
 1948 Amor de Palhaço
 1948 Folias na Ópera
 1947 Anfiteatro Flavio (curta)
 1947 Legenda Sinfonica (Documentario curta)
 1947 Santa notte (Documentario)
 1947 Natal no Acampamento 119
 1947 O Elixir do Amor
 1947 Uomini e cieli
 1946 L'orecchio (Documentario)
 1943 Sant'Elena, piccola isola
 1943 L'avventura di Annabella
 1939 Il tacchino prepotente (curta)
 1939 La vispa Teresa (curta)
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Diretor

 1979 I giochi del diavolo (TV Mini-Serie) (1 episódio)
 1977 Schock
 1975 The House of Exorcism (como Mickey Lion)
 1974 Cani arrabbiati
 1973 Lisa e il diavolo
 1972 Quante volte... quella notte
 1972 Gli orrori del castello di Norimberga
 1971 A Mansão da Morte
 1970 Roy Colt & Winchester Jack
 1970 O Alerta Vermelho da Loucura
 1970 5 bambole per la luna d'agosto
 1968 Odissea (TV Mini-Serie) (2 episódios)
 1968 Perigo: Diabolik
 1966 Bonecas Explosivas
 1966 Mata, Baby, Mata
 1966 Os Punhais do Vingador
 1966 Gringo Selvagem (não creditado)
 1965 O Planeta dos Vampiros
 1964 La strada per Forte Alamo (como John M. Old)
 1964 Seis Mulheres Para o Assassino
 1963 Drácula, o Vampiro do Sexo (como John M. Old)
 1963 As Três Máscaras do Terror
 1963 Olhos Diabólicos
 1961 A Vingança dos Vikings
 1961 Hércules no Centro da Terra
 1961 Maravilhas de Aladin
 1960 Esther e o Rei (Versão italiana)
 1960 A Maldição do Demônio
 1959 O Gigante de Maratona (não creditado)
 1959 Caltiki - il mostro immortale (não creditado)
 1957 Os Vampiros ( não creditado)
 1949 Variazioni sinfoniche (Documentario)
 1947 Anfiteatro Flavio (curta)
 1947 Legenda Sinfonica (Documentario curta)
 1947 Santa notte (Documentario)
 1946 L'orecchio (Documentario)

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Roteiro

 1975 The House of Exorcism
 1973 Lisa e il diavolo
 1971 A Mansão da Morte
 1970 O Alerta Vermelho da Loucura (não creditado)
 1968 Jovens, Malvados e Selvagens (não creditado)
 1968 Perigo: Diabolik
 1966 Mata, Baby, Mata
 1966 Os Punhais do Vingador (como John Hold)
 1965 O Planeta dos Vampiros
 1964 Seis Mulheres Para o Assassino
 1963 As Três Máscaras do Terror
 1963 Olhos Diabólicos
 1961 A Vingança dos Vikings
 1961 Hércules no Centro da Terra
 1960 A Maldição do Demônio (não creditado)

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Efeitos

 1974 A Terra Prometida - A Verdadeira História de Moisés (TV Mini-Serie) (Efeitos)
 1968 Odissea (TV Mini-Serie) (Efeitos - 2 episódios)
 1965 O Planeta dos Vampiros (Efeitos - não creditado)
 1961 Maravilhas de Aladin (Efeitos)
 1960 A Maldição do Demônio (Efeitos - não creditado)
 1959 O Gigante de Maratona (efeitos de fotografia)
 1959 Caltiki - il mostro immortale (Efeitos - como Marie Foam)
 1959 Hércules e a Rainha da Lídia (Efeitos)
 1958 Hércules (Efeitos)
 1957 Os Vampiros (Efeitos - não creditado)
 1956 Meu Filho Nero (Efeitos)
 1950 Her Favourite Husband (Efeitos)

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Câmera e Departamento elétrico

 1980 A Mansão do Inferno (operador de câmera - não creditado) / (Técnico de iluminação - não creditado)
 1959 Hércules e a Rainha da Lídia (Diretor de iluminação)
 1958 Hércules (Técnico de iluminação)
 1954 Ulysses (operador de câmera)
 1947 O Barbeiro de Sevilha (operador de câmera)
 1942 Il leone di Damasco (operador de câmera)
 1942 Capitão Tempestade (operador de câmera)
 1941 La nave bianca (Assistente de câmera- não creditado)
 1941 La compagnia della teppa (operador de câmera)
 1941 Uomini sul fondo (operador de câmera)
 1940 Ecco la felicità (operador de câmera)

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 Diretor de segunda unidade or diretor assistente

 1980 A Mansão do Inferno (diretor de segunda unidade - não creditado)
 1962 A Batalha que Salvou um Império (diretor de segunda unidade)
 1961 Maravilhas de Aladin (diretor de segunda unidade)
 1960 Maciste no Vale dos Reis (diretor de segunda unidade)
 1959 O Diabo Branco (diretor assistente- não creditado)
 1959 Hércules e a Rainha da Lídia (diretor assistente- não creditado)

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Efeitos visuais

 1980 A Mansão do Inferno (Efeitos visuais- não creditado)
 1961 Hércules na Conquista de Atlântida (Efeitos visuais- não creditado)
 1959 O Gigante de Maratona (Efeitos visuais)

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MARIO BAVA - FILM POSTERS




































MARIO BAVA (30/07/1914 - 25/04/1980) BIOGRAFIA


“Quando eu faço filmes de horror, meu objetivo é assustar as pessoas, mas ainda assim eu sou um covarde de coração fraco. Talvez por isso que meus trabalhos ficam tão bons em apavorar o público, pois eu me identifico com meus personagens… Seus medos também são os meus”.

Um dos grandes expoentes do cinema de horror e o maior diretor do cinema italiano da chamada Era de Ouro (período que vai de 1957 – com o lançamento de I, Vampiri – a 1979 – onde termina o estilo gótico e inicia a popularidade sobre o grafismo de produções como Zombie 2, Demons e Cannibal Holocaust), Mario Bava é um herói da resistência, um homem que por amor a arte abriu mão de salários, regalias e ambição, com o tipo de caráter forte que segue todos os que foram influenciados por seu trabalho, tais como Lucio Fulci, Tim Burton e Quentin Tarantino.

Bava era um profissional incompreendido por estar à frente do seu tempo, mas hoje é cultuado, pois o exigente público atual percebe que uma vez que se assiste a qualidade de um filme de Mario Bava, quer se assistir a todos. E você conhece o Mario? Se não conhece, aproveite a oportunidade e conheça mais sobre a vida e trabalho do maestro italiano do macabro, que provocou grandes revoluções silenciosas no gênero como um dos poucos que conhecem todas as cores da escuridão.

Mario Bava nasceu no dia 30 de julho de 1914, na cidade de San Remo, na região da Ligúria – um dia antes de a Alemanha declarar guerra à França e Rússia, na Primeira Guerra Mundial. 

Era filho de Eugenio Bava, um escultor que se tornou pioneiro na fotografia de efeitos especiais em meados de 1910 e se tornaria futuramente um dos grandes operadores de câmera e cinematógrafos do cinema mudo italiano e apesar de algumas tentativas mal-sucedidas como diretor acabou apenas dirigindo efeitos óticos no recém-formado Instituto Luce, de propriedade do ditador Benito Mussolini, em 1926.

Mario, no entanto, pretendia ser pintor até seus 20 anos, mas o ambiente propício ao cinema falou mais alto, aprendendo todas as técnicas com seu pai enquanto trabalhava como seu assistente, legendando filmes para exportação e animando sequências título de produções italianas. Até que, no final dos anos 30, quando se casou e passou a sustentar uma família, Mario decidiu que era hora de almejar vôos mais altos em sua carreira. Tornou-se cinematógrafo como seu pai e então diretor de fotografia em 1939.

Durante a Segunda Guerra, o cinema italiano estava quebrado e se recuperando aos poucos com o interesse americano em rodar grandes produções por lá. Neste período filmou com os grandes diretores da época como Roberto Rossellini, G. W. Pabst, Raoul Walsh e Robert Z. Leonard e seu estilo era crítico no desenvolvimento de personagens de estrelas internacionais como Gina Lollobrigida e Steve Reeves.

Pulamos então para 1956 quando Bava colaborou com o diretor Riccardo Freda no filme I Vampiri/Lust of the Vampire, o primeiro terror italiano com som. No começo Bava seria apenas operador de câmera e designer dos efeitos, mas acabou dirigindo metade da programação de 12 dias em apenas dois dias, quando Freda, em seguida, abandonou o projeto depois de ter negado um pedido de adiamento das filmagens.

Resgatar o trabalho dos outros se tornou um hábito para Bava, que dirigiu partes de La Fachi Di Ercole/Hercules (1958) e Ercole e La Reina de Lydie/ Hercules Unchained (1958), filmes de Pietro Francisci inspirados em Flash Gordon e que Bava comandava “enquanto o diretor oficial tirava um cochilo depois do almoço“. 

Foi nesta época que Bava teve seu debut com Le Morte Viene Dallo Spazio/The Day the Sky Exploded (1958), mas por possuir pouca experiência os créditos foram dados a Paolo Heusch. 

A mesma situação ultrajante aconteceria novamente quando Freda engana Bava o contratando para a fotografia de Caltiki Il Monstro Immortale/Caltiki the Immortal Monster (1959) e abandona o posto após dois dias. 

O produtor do filme, Lionello Santi, recompensa Bava por completar o trabalho de Freda dando-lhe o direito de escolher o que queria filmar para sua estreia “oficial” na direção – já com 46 anos de idade. 

Devoto da literatura russa, Bava escolhe a história Vij, de Nikolai Gogol como fundação para La Maschera del Demonio/Black Sunday (1960), o último grande terror italiano em preto e branco. Com o sucesso internacional, a película levou ao estrelato a atriz britânica Barbara Steele, que foi rapidamente considerada como a primeira rainha do horror. 

O título era uma modificação do nome italiano dado ao filme da Hammer A Maldição de Frankenstein – chamado La Maschera di Frankenstein – e estabeleceu uma sensibilidade irônica que foi perpetuada nos nomes e atitudes dos trabalhos subsequentes do diretor.

Mario Bava não estava interessado em repetir seu sucesso com mais um terror em preto e branco e demonstrou sua técnica sem paralelos em cores com Ercole Al Centro Della Terra/Hercules in the Haunted World (1961), uma descida fantasmagórica ao inferno improvisada com efeitos não usados das produções da Cinecitta. 

O título era, mais uma vez, uma paródia ao recente sucesso nos cinemas romanos Viagem ao Centro da Terra. Ele retorna para sua última produção em preto e branco com La Ragazza Che Sappeva/The Girl Who Knew Too Much (1962), filmado direto para o mercado europeu e que ganhou toques de humor para o mercado americano graças a péssima dublagem. A versão pode ser reconhecida como uma das origens do giallo que futuramente ganharia adeptos de peso entre eles, Dario Argento e seu próprio filho Lamberto Bava.

As próximas produções de Bava I Tre Volti Della Paura/Black Sabbath (1963), La Frusta e Il Corpo/The Whip and the Body (1963), Sei Done Per L´Assassino/Blood and Black Lace (1964) e Terrore Nello Spazio/Planet of the Vampires (1965) – este último considerado influência para o roteiro de Alien – mostraram a força de seu poder criativo. A crescente visão irônica do mundo fez com que, em cada um destes filmes, ocorresse a morte de seus protagonistas ao fim; e a temática cada vez mais pesada e adulta em suas histórias fez com que Bava dissolvesse seu contrato com a American International Pictures, que distribuía seus filmes com grande sucesso nos Estados Unidos. O principal argumento da AIP era que a violência e erotismo incrementados a cada filme de Bava não podiam ser colocados numa matinê, onde era o principal mercado para estas películas.

Em 1966, Bava faz a frustrada comédia Le Spie Vengono Dal Semifreddo/Dr. Goldfoot an the Girl Bombs, mas voltou com tudo no mesmo ano em Operazione Paura/Kill, Baby…Kill!, uma obra de arte de baixo orçamento sobre uma vila assombrada por um fantasma de uma menina cuja aparição compele seus habitantes ao suicídio. Sequências inteligentes e uma técnica refinada fizeram que Kill, Baby…Kill! fosse ovacionado de pé na sua grande estreia na Itália. O filme também é influência declarada nos últimos filmes de Frederico Fellini e também de Martin Scorsese em A Última Tentação de Cristo e David Lynch no seriado Twin Peaks. Ironicamente a produção ficou sem dinheiro após as duas primeiras semanas de filmagens e só pôde ser completada com Bava e os atores doando seus serviços sem receber por isso, apenas por amor ao projeto.

Cheio de trabalho, estressado por problemas pessoais e pela morte de seu pai e mentor em outubro de 1966, Bava evitou o gênero pelos próximos dois anos. Foi atraído ao trabalho quando Dino DeLaurentiis ofereceu a maior chance no mainstream de sua carreira, Diabolik/Danger: Diabolik (1968). Com orçamento estimado em 3 milhões de dólares, Bava completou o filme usando apenas 400 mil. Foi aclamado como uma das adaptações mais inteligentes dos quadrinhos e enormemente rentável na Europa.

Acostumado com a liberdade que vem com pequenos orçamentos, Bava decidiu que não queria mais interferências com escritórios de produtoras e outras pressões oriundas de orçamentos mais gordos, assim polidamente recusou a oferta de DeLaurentiis para encabeçar uma continuação. Bava encerra o ano de 1968 colaborando com Carlo Rambaldi nos efeitos especiais da minissérie Odisseia. Em seguida volta aos thrillers com o obscuro Il Rosso Familiar Della Follia/A Hatchet for the Honeymoon (1969) filmado em Barcelona, Espanha.

No ano da estreia de Dario Argento como diretor com As Plumas de Cristal (1970), Bava dirige e edita o giallo Cinque Bambole e La Luna D´Agosto/Five Dolls for an August Moon, um filme mais moderno e mais voltado ao humor negro do que ao suspense.

É quando acontece a expansão do gênero que ele mesmo ajudou a criar com Reazione a Catena/A Bay of Blood (1971), o qual Bava também co-roteiriza e fotografa.
 Um filme com treze personagens e treze mortes sangrentas que foi ignorado na época de seu lançamento, mas provou ser profético quanto à imitação Sexta-Feira 13 (1980) lançou uma nova generalização de filmes por “contagem de corpos“. Nos Estados Unidos a obra prima de Bava chegou a receber o explorador título de Last House on the Left, Part 2.

Uma associação com o produtor americano Alfredo Leone resultou na produção Lise e il Diavolo/Lisa an the Devil (1973), uma combinação extraordinária de filme de horror, filme de arte e um testamento pessoal, pois foi baseado nas memórias que Bava tinha das esculturas de seu pai. 

Com diálogos copiados de Dostoevski e um projeto não realizado sobre o necrófilo da vida real Viktor Ardisson, Lisa an the Devil se desenrola como um sonho (ou pesadelo) seguindo uma heroína desorientada (Elke Sommer) em um labirinto de amor, sexo e morte. 

Uma produção a frente de seu tempo, a obra provou-se não ter mercado durante o festival de Cannes de 1973. Lisa an the Devil teve enxertos filmados por Alfredo Leone para embalar o sucesso de O Exorcista resultando em The House of the Exorcism, que foi bastante lucrativo nos drive-ins dos Estados Unidos.

Foi na sombra de seu recente fracasso que Bava recebeu sinal verde para um projeto pessoal que estava desenvolvendo há algum tempo, Man and Boy, baseado em uma história que encontrou em uma revista de mistério. 

O nome mudou para Cani Arrabbiati/Rabid Dogs durante a produção. Mesmo quando estava num ambiente sem estúdios, o diretor encontrou má sorte: pouco tempo depois das filmagens terminadas, o produtor Roberto Loyola declarou falência e todas suas propriedades foram confiscadas, incluindo o incompleto Rabid Dogs. Bava não viveu para ver o resultado final e o lançamento de seu filme mais querido pessoalmente – e o único feito fora do contexto da fantasia. 

Os fotogramas ficaram presos por 20 anos, quando foram adquiridos pela atriz Lea Lander (que também trabalhou em Blood and Black Lace) e finalizado por Alfredo Leone e Lamberto Bava tendo sua premiere em Bruxelas no ano de 1996 sob o título Semaforo/Kidnapped recebido com grande notoriedade.

 Rabid Dogs é uma história de assalto e sequestro que possui um enredo simples, tenso e uma característica que é moda hoje; foi rodado como se a ação acontecesse em tempo real. Ambas as versões podem ser comparadas no Mario Bava Box Set Vol. 2, lançado nos Estados Unidos pela Anchor Bay.

Ficou difícil para o diretor na virada dos anos 60 para os 70 trabalhar com esta série de erros, fracassos e sucessos não pagos por trás. Sentindo isso, seu filho Lamberto (que já trabalhava como seu assistente de direção desde 1966) roteirizou o que se tornaria o último filme de cinema em sua carreira, Schock (1977), a história do colapso mental de uma mulher após retornar a casa onde ela viveu com seu último marido viciado em drogas. 
Mario fez todos os storyboards, mas dirigiu apenas em partes para ajudar Lamberto a ganhar experiência como diretor. Além disso, o mestre italiano estava desiludido com os negócios no cinema. Na América do Norte o título Schock virou Beyond the Door II.Pai e filho dividiram os créditos na adaptação da história da Vênus de Milo – La Venere d’Ille, de 1978 – rodado em 16mm para a rede de televisão RAI. Mesmo este sucesso na forma de canto do cisne encontrou um jeito de desapontar seu criador, permanecendo sem exibição por dois anos e mostrado somente depois da morte de Bava. Seu último trabalho foi como designer de efeitos especiais não creditado em Inferno (1980), de Dario Argento. Mario construiu maquetes, pintou mosaicos em vidro e produziu efeitos óticos para o filme, incluindo o eclipse lunar. Como Argento hoje admite, Mario também dirigiu algumas cenas durante sua ausência enquanto estava acometido com uma hepatite. Mario Bava faleceu em Roma devido a um ataque cardíaco no dia 25 de abril de 1980 – com 65 anos de idade – dias após um check-up médico revelar que estava com perfeita saúde. Numa ironia final, a última de várias que pontuaram sua vida, o homem que nasceu um dia antes de estourar a Primeira Guerra faleceu no dia que é lembrado pelos sobreviventes italianos da Segunda Guerra como o Dia da Libertação

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