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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

YASUJIRÔ IZU (12/12/1903 - 12/12/1963) - BIOGRAFIA


Yasujirō Ozu (小津 安二郎, Ozu Yasujirō?, Tóquio, 12 de Dezembro de 1903 — Tóquio, 12 de Dezembro de 1963) foi um diretor de cinema e roteirista japonês. Ele começou sua carreira durante a era do cinema mudo. Ozu fez cinquenta e três filmes: vinte e seis em seus primeiros cinco anos como diretor, e todos apenas três para o estúdio Shochiku. Ozu primeiro fez uma série de comédias curtas, antes de voltar a temas mais sérios na década de 1930.

Casamento e família, especialmente as relações entre as gerações, estão entre os temas em sua obra. Suas obras pendentes incluem Bashun (1949), Bakushū (1951), Tōkyō Monogatari (1953), e Ukigusa (1959). Ele fez grande uso de reticências, onde muitos eventos não são representados visualmente, e também usou um estilo de cinema em que a câmera raramente se move e é geralmente posicionada abaixo do nível dos olhos dos atores. Sua reputação continuou a crescer desde a sua morte, e ele é amplamente considerado como um dos diretores mais influentes do mundo.

Nasceu em Fukagawa, em Tóquio, filho de um comerciante de adubo, e foi educado num colégio interno em Matsusaka, não tendo sido um aluno particularmente bem sucedido. Desde cedo se interessa pelo cinema e aproveita o tempo para ver o máximo de filmes que podia. Trabalhou por um breve período como professor, antes de voltar para Tóquio em 1923, onde se juntou à Companhia cinematográfica Shochiku. Trabalhou, inicialmente, como assistente de fotografia e de realização. Três anos depois, dirigiu o seu primeiro filme, Zange no yaiba (A espada da penitência), um filme histórico, em 1927. Os cinéfilos em geral indicam como primeiro filme importante Rakudai wa shita keredo (Reprovei, mas... - tradução do título em inglês), de 1930. Realizou mais 53 filmes - 26 dos quais nos seus primeiros cinco anos como realizador e todos, menos 3, para os estúdios Shochiku.

Em julho de 1937, numa altura em que os estúdios demonstravam algum descontentamento com o insucesso comercial dos filmes de Ozu, apesar dos louvores e prémios com que a crítica o celebrava, é recrutado com 34 anos e servirá como cabo de infantaria, na China, durante dois anos. A sua experiência militar leva-o a escrever um extenso diário onde se inspirará mais tarde para escrever guiões cinematográficos. O primeiro filme realizado por Ozu ao regressar, Toda-ke no Kyodai (Os irmãos da família "Toda" - tradução do título em inglês, 1941), foi um sucesso de bilheteira e de crítica. Em 1943 foi, de novo, alistado no exército para realizar um filme de propaganda na Birmânia. Em vez disso, porém, foi enviado para Singapura onde passou grande parte do seu tempo a ver filmes norte-americanos confiscados pelo exército. De acordo com Donald Richie, o filme preferido de Ozu era a obra-prima de Orson Welles', Citizen Kane.

Ozu começou por realizar comédias, originais no seu estilo, antes de se dedicar a obras com maiores preocupações sociais na década de 1930, principalmente ao focar dramas familiares (gênero próprio do cinema japonês, chamado "Gendai-Geki"). Outros temas caros ao mestre japonês são a velhice, o conflito entre gerações, a nostalgia, a solidão e inevitabilidade da decadência, como se verifica, de imediato, nos títulos dos seus filmes que evocam o passar do tempo: é frequente que os seus filmes terminem num local ou numa situação diretamente ligada com o início, acentuando o carácter temporal "circular" (como as estações do ano ou a alternância das marés) destas obras.

Trabalhou frequentemente com o argumentista (guionista) Kogo Noda; entre outros colaboradores regulares contam-se o diretor de fotografia Yuharu Atsuta e os actores Chishu Ryu e Setsuko Hara. Os seus filmes começaram a ter uma receção mais favorável a partir do final da década de 1940, com filmes como Banshun (Portugal: Primavera tardia; Brasil: Pai e Filha, 1949), Tokyo monogatari (Portugal: Viagem a Tóquio, Brasil: Era uma vez em Tóquio, 1953), considerado a sua obra prima, e Ochazuke no Aji (Portugal: O gosto do saké, 1952), Soshun (Portugal: Primavera prematura, 1956), Ukigusa (Ervas flutuantes, 1959) e Akibiyori (Dia de Outono, 1960). O seu último filme foi Sanma no aji (BrasilA rotina tem seu encanto, 1962).

Enquanto realizador era considerado excêntrico e declaradamente perfeccionista. É muitas vezes referido como o "mais japonês dos realizadores de cinema", o que não foi favorável para a sua divulgação no estrangeiro - só tardiamente se começou a mostrar a sua obra no ocidente, a partir da década de 1960. Foi relutante a aceitar a revolução do cinema sonoro - o seu primeiro filme com som foi Hitori musuko ("Filho único"). O seu primeiro filme a cores foi também tardio: Higanbana (Flores do equinócio), em 1958. Destaca-se, no seu estilo, um género de plano, filmado a baixa altura, com o operador de câmara de cócoras, o que provoca um determinado efeito de identificação do espectador com o ponto de vista da câmara. Defendia insistentemente os planos estáticos, sem movimento da câmara e composições meticulosamente definidas que não permitiam aos atores dominarem individualmente a cena. É também sua imagem de marca a frontalidade do plano (falsos raccords): num campo-contracampo, por exemplo, quando vemos alternadamente uma pessoa a falar com outra, é dada a impressão que o ator se dirige ao espectador e não à personagem do filme.

A influência de Ozu no cinema oriental é indubitável: Akira Kurosawa e Kenji Mizoguchi, que despertaram primeiramente a curiosidade cinéfila europeia em relação ao cinema japonês são, de certa forma, tributários do seu estilo. Verifica-se que muitos cineastas ocidentais tomaram Ozu como mestre. Wim Wenders filmou "Tokyo-Ga", um documentário sobre Ozu. Jim Jarmusch e Hal Hartley seguem de perto os seus ensinamentos, nos Estados Unidos da América. Em Portugal, João Botelho inspirou-se no seu filme "Viagem a Tóquio" para realizar "Um adeus português".

Yasujiro morreu de câncer em 1963, exatamente no seu aniversário de 60 anos.  Foi sepultado no templo de Engaku-ji em Kamakura.

YASUJIRÔ IZU - FILMOGRAFIA



DIRETOR

 1962 A Rotina Tem Seu Encanto
 1961 Fim de Verão
 1960 Dia de Outono
 1959 Ervas Flutuantes
 1959 Bom Dia
 1958 Flor do Equinócio
 1957 Crepúsculo em Tóquio
 1956 Começo de Primavera
 1953 Era uma Vez em Tóquio
 1952 O sabor do chá verde sobre o arroz
 1951 Também Fomos Felizes
 1950 As Irmãs Munekata
 1949 Pai e Filha
 1948 Uma Galinha no Vento
 1947 Discurso de um Proprietário
 1942 Era uma Vez um Pai
 1941 Os Irmãos e Irmãs Toda
 1937 Shukujo wa nani o wasureta ka
 1936 Kagamijishi (Documentario curta)
 1936 Filho Único
 1936 Daigaku yoitoko
 1935 Uma Estalagem em Tóquio
 1935 Hakoiri musume
 1934 Uma História de Ervas Flutuantes
 1934 Haha wo kowazuya
 1933 Dekigokoro
 1933 Hijôsen no onna
 1933 Mulher de Tóquio
 1932 Mata au hi made
 1932 Seishun no yume imaizuko
 1932 Meninos de Tóquio
 1932 Haru wa gofujin kara
 1931 Coral de Tóquio
 1931 Bijin to aishû
 1931 Shukujo to hige
 1930 Ojôsan
 1930 Ashi ni sawatta kôun
 1930 Erogami no onryô (curta)
 1930 A Mulher Daquela Noite
 1930 Rakudai wa shitakeredo
 1930 Hogaraka ni ayume
 1930 Kekkongaku nyûmon
 1929 Tokkan kozô (curta)
 1929 Kaishain seikatsu
 1929 Daigaku wa detakeredo
 1929 Wasei kenka tomodachi (curta)
 1929 Gakusei romansu: Wakaki hi
 1929 Takara no yama
 1928 Nikutaibi
 1928 Hikkoshi fûfu (curta)
 1928 Kabocha (curta)
 1928 Nyôbô funshitsu
 1928 Wakôdo no yume
 1927 Zange no yaiba 

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